Uma operação conjunta realizada na manhã desta quarta-feira (29) apura possíveis irregularidades na realização do 1º Rodeio de Manga, no Norte do estado. A ação, chamada “Palco Oculto”, foi coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e locais ligados ao poder público municipal. A investigação apura possíveis crimes contra a administração pública, além de indícios de lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.
Evento é alvo da investigação
O foco das apurações é a contratação de serviços para a realização do rodeio, promovido durante as comemorações do aniversário de 102 anos da cidade, entre os dias 5 e 7 de setembro do ano passado.
De acordo com as investigações, há suspeitas de que recursos públicos destinados à empresa responsável pelo evento tenham sido posteriormente movimentados por meio de terceiros, em operações financeiras consideradas atípicas. Esse fluxo está sendo analisado tecnicamente pelos órgãos responsáveis.
Materiais apreendidos
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram recolhidos diversos itens que podem contribuir para o andamento do inquérito, como documentos, contratos, processos administrativos, notas fiscais, registros contábeis e equipamentos eletrônicos.
Também foram apreendidos três veículos e cerca de R$ 27 mil em dinheiro. Todo o material será periciado e integrado às investigações.
Segundo a Polícia Civil, os mandados foram direcionados a dois investigados: um servidor público municipal e uma pessoa com ligação familiar com integrante do Executivo local.



Atuação conjunta
De acordo com o delegado regional Luiz Bernardo Rodrigues de Moraes Neto, a ação integrada entre os órgãos reforça o compromisso com a fiscalização do uso de recursos públicos.
As investigações continuam e novas diligências não estão descartadas.
Segunda operação
Dias antes desta operação, no dia 24 de março, outra ação policial já havia movimentado a cidade de Manga. Na ocasião, a advogada Lorena Barbosa Leão, servidora pública municipal e nora do prefeito, foi presa durante a operação “Jó 38:11”, que investiga um esquema milionário envolvendo lavagem de dinheiro, organização criminosa e agiotagem.
Agora, com a nova operação, as apurações avançam sobre possíveis irregularidades em contratos públicos, incluindo diligências que envolveram endereços ligados a investigados com relação com o poder público local.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Manga informou que foi surpreendida com a operação realizada pela Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público, que cumpriu mandados de busca em endereços no município.
Segundo a administração municipal, durante a ação foram recolhidos documentos públicos na Secretaria de Cultura para averiguação. O município afirma que esses materiais já haviam sido disponibilizados anteriormente ao Ministério Público de Minas Gerais e que são de acesso público por meio do portal da transparência.
A prefeitura também destacou que o filho do prefeito não possui e nunca possuiu qualquer vínculo ou envolvimento com a administração pública municipal.
Por fim, informou que permanece à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente para o esclarecimento dos fatos.