Versos sobre o Mundo: a mulher do refeitório e a lição sobre enxergar o outro

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Olá, meus caros leitores. Espero, sinceramente, que todos vocês estejam bem, seja agora ou em qualquer tempo em que venham a ler esta coluna.

Sabe, tenho refletido sobre o que realmente vale a pena, sobre o que de fato faz sentido. Algumas coisas me deixam angustiado, outras me trazem alívio.

Eu ando pelas ruas e observo as pessoas. Estamos vivendo como zumbis: sempre com o rosto enfiado num telefone celular, às vezes resolvendo algo de trabalho, outras, perdendo tempo no Instagram; talvez pagando uma conta num aplicativo de banco ou vendo coisas que jamais deveríamos ver. Mas é claro que na internet também há coisas boas, e é nelas que devemos nos deter.

Certa vez, li em algum lugar uma frase atribuída a Albert Einstein, se foi ele realmente quem disse isso, não importa; o que importa é que a frase é profundamente verdadeira.
Leia comigo: “Temo pelo dia em que a tecnologia ultrapassará os limites da interação humana; teremos aí uma geração de idiotas.”

É, meu caro Einstein… esse dia chegou, meu brother.

Se a gente não silenciar, se não se desviar desse contexto de hiperconexão, não percebemos a beleza que há à nossa volta: o sorriso de uma criança, a voz da sua ou da minha mãe, o olhar de um idoso, o vento fresco no rosto, as estrelas, o pôr do sol, a chuva, a lua… são tantas maravilhas.

Sabe, meu caro leitor, temos tão pouco tempo, a vida é curta. Amigo(a), ponha a mão na consciência e observe comigo ao seu redor. Há muita gente precisando de ajuda, de uma palavra, de um olhar sincero, de um pouco de atenção, de um abraço, de tantas outras coisas.

Eu e você somos agentes do bem, arautos da bondade, e podemos consertar o mundo onde vivemos. Você vem comigo?

Saiba de uma coisa: se nos dedicarmos de fato a ajudar os outros, este mundo vai nos julgar,  não se surpreenda com isso. E é exatamente sobre isso que quero te falar nesta coluna de hoje.
Já sobe na garupa da moto filosófica e vem comigo!

Antes de começar, quero mandar um grande abraço aos colegas da faculdade de Filosofia: Gabriel, Wagner e Jonas, que, com suas conversas, conselhos e amizade, tanto me ajudaram a achar um tema para o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Obrigado, meus amigos. Eu precisava daquela conversa, muito mais do que vocês podem imaginar.

Quero também mandar um abraço para minha amiga Dalila Silva, da cidade de São João das Missões (MG), leitora fiel da coluna Versos sobre o Mundo. Obrigado por ler e copiar meus versos no caderno. Que Deus te abençoe! Aliás, que lugar bom é São João das Missões! Sempre que chego por ali, sou muito bem acolhido. Já faz tempo que fui, mas prometo voltar um dia. Vocês são incríveis. Muito obrigado!

Voltemos à nossa reflexão. Outro dia, eu estava no meu trabalho, no portal de notícias. Era uma tarde comum, aliás, nunca é comum. Todos os dias são especiais, e eu agradeço muito a Deus por isso.
Pesquisava um pouco para continuar meus escritos, até que me deparei com uma notícia e parei para ler.

Era a história de uma senhora que vivia na cidade de Wilmington, no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Ela trabalhava em uma escola, mais precisamente no refeitório, e dedicou 14 longos anos de sua vida a esse trabalho.
Até que, em um belo dia, talvez não tão belo assim, foi chamada para uma conversa e alguém disse: “Você está demitida!”

Isso mesmo, meu caro leitor: após anos de dedicação, veio uma demissão sumária. O motivo? Ela alimentou estudantes que chegaram à escola sem dinheiro para o almoço. A direção entendeu que isso era uma irregularidade administrativa.

A senhora percebeu que muitas daquelas crianças tinham apenas uma única refeição por dia: a merenda escolar. Assim, ela tentava oferecer um prato de comida mais completo, em vez de apenas um lanche simples.
Para isso, chegou até a usar recursos próprios, tentando garantir que nenhuma criança ficasse sem comer.
Talvez isso tenha causado um dano financeiro à escola, mas a intenção era matar a fome de quem precisava.

Não estou defendendo o erro dela, mas lançando luz sobre a atitude de ajudar o próximo e esquecer de si mesma.
Como disse, não defendo erros, até entendo a direção da escola, mas essa senhora certamente tinha bom coração e tentava, ainda que sozinha, fazer do mundo um lugar melhor.

A comunidade escolar gostava muito dela, e a demissão gerou grande comoção.
Ela observou ao seu redor, percebeu pessoas precisando de ajuda, fez tudo o que pôde, tirou dinheiro do próprio bolso e acabou oferecendo a comida do refeitório, mesmo que isso lhe custasse o emprego.
Sofreu as consequências: demitida por alimentar crianças que não tinham o que comer! É triste.

Você deve estar se perguntando por que estou falando sobre isso.
Falo para abrir nossos olhos: os meus e os seus.
A senhora do refeitório estava atenta. Ela não ficou anestesiada por um celular ou por coisas passageiras.
Ela viu os que passavam pela vida dela e ajudou, mesmo que de forma indevida.
Ela ajudou.
Ela praticou caridade.
Ela amou.

E eu? O que estou fazendo da minha vida?
Será que tenho observado o mundo ao meu redor?
Como tenho ajudado as pessoas?

“Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes…”

“Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”
(Mateus 25:35-40)

Com esta passagem do Evangelho de Mateus, encerro a coluna de hoje. Espero, de todo o coração, que você tenha entendido o que eu quis dizer.

Fique ligado nas próximas colunas, ainda tenho muito a dizer e conto com você nessa viagem, sempre na garupa da moto filosófica, refletindo comigo em Versos sobre o Mundo.

Até a próxima, gente boa!

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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