Versos sobre o Mundo: eu quero a graça de desfrutar de horas lentas

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Olá, meu caro leitor (a), tudo bem com você? Espero que sim!
Senti saudades, já faz um tempo que a gente não se fala, né?
Aliás, é sobre isso que vamos conversar: o nosso tempo! Por que será que temos essa sensação de que ele passa mais rápido de uns tempos para cá?

Este jornalista que vos escreve, além de trabalhar, é estudante de Filosofia. Às vezes, sinto na pele o que é essa vida corrida que levamos atualmente. Não raro, me sinto esmagado pelo tempo e, o pior: com a sensação de que não consegui aproveitá-lo como deveria.
O que fazer? Vamos refletir juntos!

Antes de começar, quero mandar um forte abraço para os amigos Denilson, da Vic Pastéis, e Énele Tairine, leitores fiéis da coluna Versos sobre o Mundo. A Tairine, inclusive, me acompanha desde os tempos do rádio, no programa Garagem Musical, era ouvinte fiel! Agradeço de coração por esse carinho. Que Deus abençoe vocês.

Vem comigo, meu leitor (a): sobe na garupa da nossa moto filosófica e vamos refletir em Versos sobre o Mundo.

Certa vez, conversava com uma amiga minha, a Cristina, lá de Pirapora. Me parece que atualmente ela mora em Buritizeiro, não sei, faz tempo que não a vejo. Isso foi nos tempos da faculdade de Jornalismo.
Ela me contou que a mãe dela tinha a impressão de que o tempo estava “voando” e que também sentia que o céu estava um pouco mais baixo.
Quando ouvi isso, até achei engraçado:
— “Como assim? O céu mais baixo?”, perguntei às gargalhadas.
Ela, meio sem jeito, respondeu:
— “Sim, minha mãe fala isso.”

Se o céu está mais baixo, não sei, até penso que não. Mas a questão é: por que essa sensação de que o tempo está mais corrido?

Uma vez, em uma conversa com um colega de trabalho, falávamos sobre isso. Ele argumentava que a vida está muito agitada e que sempre há alguém dizendo que está sem tempo para nada. Eu também percebo esse fenômeno. E você, leitor (a)?

O advento da internet pode estar associado a essa sensação, sabe?
Os dias não estão menores — continuamos com 24 horas, 7 dias na semana, 30 no mês, 365 no ano. Tudo igual.
Mas, então, por que parece que tudo passa mais rápido?

Penso que a resposta está nesse contexto de hiperconexão. Somos bombardeados com informações o tempo todo.
Toda hora chega uma mensagem. Se eu te pergunto algo via WhatsApp, por exemplo, talvez você já esteja atolado de demandas. Vê minha mensagem e não consegue responder na mesma hora. Deixa para depois. E fica com a frase na cabeça: “Tenho que responder o Américo, tenho que responder…”
Com tanto excesso de informação, é fácil esquecer de algo. Aí você lembra só muito tempo depois — e vem a sensação de frustração e de correria. Não é o tempo que está passando mais rápido; é o contexto que nos dá essa impressão.

Existe um pensador muito conhecido entre quem estuda comunicação: Marshall McLuhan. Tenho até uma história engraçada sobre ele. Nas aulas da faculdade de Jornalismo, quando o professor falava desse pensador, uma colega pronunciou o nome dele como se fosse o de um cantor de funk! (risos)
Vê se pode? Algum funkeiro já escreveu obras sobre comunicação no mundo? Brincadeiras à parte, com respeito, é claro, vamos prosseguir com a reflexão.

McLuhan criou o conceito de Aldeia Global. Há quem o chame de filósofo da comunicação, mas eu prefiro vê-lo como um pensador, não chega a ser um filósofo.
Esse conceito é essencial para nossa reflexão de hoje, porque previa exatamente o que vivemos hoje. McLuhan antecipou o que mais tarde se tornaria a internet: um mundo em que as distâncias desaparecem.

Como ele dizia, “o mundo é uma aldeia”.
E é verdade, meu brother McLuhan, você estava certo. Com tudo isso, muita coisa ficou mais fácil, mais ágil, mais acessível. Mas também surgiram os efeitos colaterais: ansiedade, dispersão, sobrecarga mental.

Estamos presos a uma tela. Mas o tema de hoje é o tempo, ou melhor, a falta dele.
Vivemos a sensação de não dar conta de tudo. O que fazer?

Acredito que ainda vamos enfrentar novos tipos de doenças psíquicas. E eu, sinceramente, não quero fazer parte dessas estatísticas.
O caminho, talvez, seja organizar a vida, definir prioridades e ignorar o que não for essencial.
Ninguém saudável consegue ler tantas mensagens, assistir a tantos vídeos e absorver tanta informação.

Como dizia Caetano Veloso em Alegria, alegria (1967): “Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento, no sol de quase dezembro…
Eu vou… Por entre fotos e nomes, os olhos cheios de cores, o peito cheio de amores vãos,
eu vou… E quem lê tanta notícia?”

Conseguiu entender, meu caro leitor?
Ninguém dá conta de tudo, é loucura tentar. Se insistir, você adoece.

Trabalhando há anos com portais de notícias, vejo de perto a brutalidade do volume de informação com que somos bombardeados. Precisamos reagir, juntos, ou todos sucumbiremos.

Então, organize-se. Veja o que é prioridade.
Saia um pouco do celular, do notebook, da TV.
Talvez seja hora de voltar ao velho, bom e imortal rádio.

Quando for sair, se puder, deixe o celular em casa.
Converse com as pessoas olhando nos olhos, e não para uma tela.
Troque o telefone por um bom livro, por uma boa conversa com os amigos ou com alguém que você ama.

Reflita sobre como está usando o seu tempo.
A vida é curta, meu amigo, põe a mão na consciência.
Troque parte do tempo diante da tela por um bom momento de oração.

Bom, já viajamos bastante na nossa moto filosófica.
Espero, sinceramente, que você tenha compreendido a mensagem de hoje.

Para finalizar, deixo uma frase de São Josemaría Escrivá, do livro Sulco: “Se o tempo fosse ouro, talvez você pudesse perdê-lo, mas o tempo é a vida, e você não sabe quanta te resta.”

Então, meu caro leitor (a), com toda essa sensação de que o tempo está passando mais rápido,
o que eu queria mesmo era a graça de poder desfrutar de horas lentas.

Até a próxima segunda-feira, gente boa!

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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