Versos sobre o Mundo: o sonho do homem acordado

Olá, meus leitores. Tudo bem com vocês?

Vamos juntos em mais uma viagem filosófica aqui na nossa coluna. Eu já ia dizer para você pegar um café, mas, se subir na garupa da moto filosófica, o café vai derramar (risos). Claro que estou brincando. O importante é ter você aqui, refletindo comigo. Vamos juntos, porque a partir de agora a moto vai acelerar.

O que nos move são as perguntas, então vou começar com uma: você tem um sonho?
Imagino que a resposta seja sim. Eu tenho alguns que pretendo realizar; outros, felizmente, já consegui.

Mas, quando falo de sonhos, refiro-me a metas reais, possíveis, compatíveis com a nossa vida — e não a ideias ilusórias que, muitas vezes, criamos na imaginação.

Sabe, meu amigo, minha amiga leitora, nós vivemos em tempos de internet. Isso tem o seu lado bom, sem dúvida, mas também trouxe efeitos colaterais, como os pseudocomunicadores e pseudointelectuais que vendem ideias muitas vezes falsas e acabam confundindo a cabeça de muita gente. É preciso tomar cuidado com isso.

Dito isso, vamos ao assunto. Estou falando de sonhos e vou lhe contar por que tive a ideia de escrever sobre isso.

Tenho um grande amigo, daqueles que são como irmãos. Ele tem um grande sonho: ser policial militar. Já faz um bom tempo que corre atrás disso, mas ainda não conseguiu. Não vou revelar o nome dele por uma questão de ética profissional.

Esse meu amigo passou, há algum tempo, por uma situação que marcou profundamente a sua vida. Era uma tarde de sábado, muito parecida com o dia de hoje em que publico esta coluna: um dia ensolarado, bonito, quente — do jeito que eu gosto, ainda mais para pegar a estrada de motocicleta.

Naquele dia fatídico, ele saiu de moto com a esposa para visitar a família dela. Viajava tranquilamente pela BR-135, no extremo Norte de Minas. A moto era boa, estava tudo em paz, até que, de repente, o pneu traseiro estourou. Ele tentou se equilibrar, mas não foi possível, e a queda foi inevitável.

Ele sofreu uma pancada forte na cabeça, ficou desacordado, e a esposa, desesperada, tentou pedir ajuda às pessoas que passavam. Alguém conseguiu acionar o socorro. Veio o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas a palavra do médico foi estarrecedora:

Vamos levá-lo ao hospital de Janaúba, mas o rapaz não chegará vivo.

Como deve ter sido difícil para ela ouvir aquilo.

A ambulância partiu levando os dois. Ela teve apenas ferimentos leves, mas ele estava em estado grave, devido à pancada forte. Era uma verdadeira batalha entre a vida e a morte. Já no hospital, foi entubado, levado para a UTI, enquanto ela assumia o doloroso papel de avisar a família.

Lembro-me do momento em que recebi a notícia. Fiquei em estado de choque. Entrei em contato com um colega para confirmar a informação. A resposta foi dura:

Faça suas orações. Ele está muito mal, agora só Deus pode resolver.

Naquele momento, eu estava pronto para sair — iria a um churrasco. Fiquei tão mal que voltei para o quarto e fiz a única coisa que podia fazer para ajudar meu amigo: rezei. Entreguei tudo nas mãos de Deus.

Mesmo assim, fui ao churrasco, mas estava péssimo. Juro, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Voltei para casa.

Os dias seguintes foram terríveis: medo, preocupação, incerteza. Até que, em um desses dias, recebi uma mensagem inesperada no Instagram. Para minha surpresa, era o irmão desse meu amigo — alguém que jamais me procura. Naquele instante, senti o chão desaparecer sob meus pés. Pensei que fosse uma notícia ruim.

Mas não. Ele só queria passar lá em casa. Estava vindo de Goiânia, onde mora, passaria por Montes Claros e depois seguiria para Janaúba, para visitar o irmão no hospital.

Até então, as notícias eram as mesmas: UTI, sedado. Mas, aos poucos, ele começou a reagir. Alguns dias depois, veio a notícia boa: acordou e, em breve, receberia alta.

Ali, no entanto, começava uma longa caminhada de recuperação. Havia o medo de sequelas. Nos primeiros dias, ele estava confuso, com a fala desconexa, mas, pouco a pouco, começou a recuperar a memória. A família tentava protegê-lo, evitando muitas visitas, pois aquele era um momento delicado.

Um dia, entrei em contato, e a esposa dele o colocou no telefone para falar comigo. Uma conversa por áudio, via WhatsApp. A resposta dele me animou profundamente. Ele lembrou de mim exatamente como antes:

Fala, Borges!

Quem me chama pelo sobrenome são apenas os amigos mais próximos. Se ele me chamou assim, estava consciente. Naquele momento, pensei: ele vai se recuperar.

Com o passar dos dias, meu amigo foi melhorando passo a passo. Hoje, graças a Deus, está recuperado, com algumas restrições, é claro — o acidente foi muito grave.

Mas você deve estar se perguntando: “O que toda essa história tem a ver com ter um sonho?”
Calma, eu explico.

Lembra que eu disse que ele sonhava em ser policial militar? Pois é. Mesmo depois de um longo período de recuperação, mesmo após um acidente que quase tirou sua vida, mesmo diante de tantas dificuldades, ele não abandonou o sonho.

Recentemente, estive na casa dele. Na sala, há uma mesa com notebook, livros e apostilas — um verdadeiro ambiente de estudos. Na parede, escrita à mão, em letras grandes, numa folha de papel, estava a frase:

“Deus, em nome de Jesus, realize o meu sonho!”

Aquilo me emocionou. Fiquei feliz em saber que ele está bem e que continua lutando para construir a própria vida. Deixo aqui meu respeito, meu apoio e minha total disponibilidade para ajudá-lo no que for possível. Vai dar tudo certo.

E você pode estar se perguntando: “O que isso tem a ver comigo?”
Tem tudo.

Se você que lê esta coluna anda desanimado, saiba: seu sonho é possível. Não importa se a vida lhe der um tombo — tomara que não seja de moto, claro —, mas há muitas quedas possíveis nessa jornada. O que importa é continuar firme.

Apegue-se a Deus, faça a sua parte, tenha paciência, planejamento e muita paz no coração. No tempo certo, seus sonhos podem se tornar realidade.

E, para encerrar, não poderia deixar de citar o grande Aristóteles. Há uma frase atribuída a ele que diz: “A esperança é o sonho do homem acordado.”

É exatamente disso que falei aqui. Sonhar não é criar uma imaginação sem sentido, mas projetar o futuro com consciência, sabendo o que se está fazendo e, sobretudo, usando a razão.

Por hoje é só, meus amigos. Pare um pouco, pense, reflita, planeje. Seus sonhos podem ser reais. Esforce-se, lute, nunca deixe de sonhar. Não importa o que aconteça: vai ficar tudo bem.

Por aqui, encerro nossa viagem de hoje na moto filosófica. Outro dia a gente toma um café e troca uma ideia. Ah, e cuidado para não cair por aí, hein!

Até a próxima segunda-feira, gente boa!

Ilustração que resume toda a história – Créditos: Inteligência Artificial

Américo Borges

Américo Borges é jornalista formado pelas Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE). Com ampla experiência em comunicação, já atuou em portais de notícias, rádio e também como assessor de imprensa em órgãos públicos. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a informação de qualidade e a valorização do jornalismo regional.

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