A polilaminina, proteína naturalmente presente no organismo humano e associada à regeneração de tecidos nervosos, surge como uma das apostas mais promissoras da ciência brasileira no tratamento de lesões medulares e terá Montes Claros como um de seus principais polos de produção. O medicamento, que vem apresentando resultados animadores em pesquisas voltadas à paraplegia e à tetraplegia, representa um avanço relevante na área da regeneração nervosa.
A fabricação será conduzida pela farmacêutica Cristália, que anunciou a instalação da estrutura produtiva na cidade. A empresa aguarda a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a produção em escala comercial.
O desenvolvimento da polilaminina ganhou repercussão nacional e internacional após a divulgação de resultados, em agosto de 2025. A pesquisa é liderada pela cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, à frente do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os estudos sobre o potencial terapêutico da laminina são conduzidos pela universidade desde a década de 1990. A polilaminina, desenvolvida a partir dessa proteína, é um polímero aplicado diretamente na coluna vertebral, com potencial para contribuir na recuperação de movimentos em pacientes com lesões medulares.
A iniciativa passou a contar com a participação do Cristália em 2018, e a parceria com a UFRJ foi formalizada em 2021. Até agora, cerca de R$28 milhões foram investidos no desenvolvimento e na estruturação da produção do medicamento.